
Episode #16
[A Origem do Sabor] Marcelo Pardin - Mestre alambiqueiro e fundador da Cachaça Pardin #EP16
A cachaça pode ocupar o mesmo espaço de complexidade, técnica e prestígio de um grande whisky? Para Marcelo Pardin, mestre alambiqueiro e fundador da Cachaça Pardin, a resposta passa por estudo, experimentação e, sobretudo, curiosidade. Neste episódio de A Origem do Sabor, ele conta uma trajetória improvável: começou a se aprofundar no universo da bebida aos 45 anos, depois de buscar uma solução para aproveitar canas fora do padrão comercial, e transformou essa descoberta em uma obsessão por fermentação, destilação, madeiras e construção sensorial. A conversa mergulha no que existe por trás de uma cachaça de alta qualidade. Marcelo explica como higiene, fermentação, leveduras, origem da cana e destilação interferem diretamente no resultado — e mostra como diferentes regiões e matérias-primas podem criar perfis completamente distintos. Mas é nas madeiras e nos blends que sua inquietação aparece com mais força: há criações finalizadas em barris que receberam vinho do Porto e whisky, além de um acervo de 26 tipos de madeira usado para desenvolver bebidas únicas. A degustação ainda abre espaço para harmonizações com queijos e para uma reflexão importante: a cachaça brasileira evoluiu e hoje pode entregar destilados capazes de dialogar com grandes bebidas do mundo. Mais do que falar de bebida, o episódio fala de campo, transformação, cultura e identidade brasileira. Marcelo provoca ao lembrar que o desafio não termina no alambique: produzir algo extraordinário também exige saber posicionar, comunicar e vender. Entre técnica, paixão e empreendedorismo, o papo ajuda a enxergar a cachaça para muito além dos estereótipos. Um episódio para quem gosta de descobrir o sabor por trás do processo — mesmo que nunca tenha parado para prestar atenção em uma boa cachaça. Destaques Da cana ao alambique — Como uma atividade ligada ao fornecimento de cana despertou em Marcelo a curiosidade que o levou a estudar cachaça, whisky, gin, café, chá e outros universos sensoriais. Terroir também existe na cachaça — A mesma variedade de cana, cultivada em regiões diferentes, pode entregar características completamente distintas ao destilado. Fermentação como ferramenta criativa — Marcelo experimenta diferentes leveduras para desenvolver perfis próprios, mostrando quanto da personalidade da bebida nasce antes mesmo da destilação. Madeiras, tempo e blends — Carvalho, madeiras brasileiras e barris que já receberam outras bebidas entram em criações de longa maturação, algumas com anos de desenvolvimento e lotes extremamente limitados. Cachaça também harmoniza — Queijos, café, charutos e coquetelaria mostram a versatilidade de uma bebida que ainda tem muito território gastronômico para conquistar. Produzir é só metade do desafio — Marcelo também fala sobre embalagem, concursos, posicionamento e marketing: fazer uma grande cachaça não basta se ninguém entender o valor que existe dentro da garrafa.






